Por qual licitação começar.
Ninguém consegue olhar certame a certame — são centenas de milhares por ano. Esta fila ordena por duas coisas ao mesmo tempo: quantos sinais de risco dispararam e quanto dinheiro está em jogo. Um caso de risco alto e R$ 3 mil não passa na frente de um caso de risco médio e R$ 3 milhões.
Sinal estatístico não é irregularidade, e muito menos fraude. É onde olhar primeiro — a conclusão depende de ler o processo. É indício estatístico sobre dados públicos — não acusação. Método na metodologia.
- alto (60+)1.397
- médio (35–59)35.546
- baixo (1–34)252.330
Um sinal que dispara em quase todo certame não separa nada — está descrevendo a base, não o risco. Esta tabela existe para que isso apareça. Um mesmo certame pode disparar mais de um sinal, então os percentuais se sobrepõem e somam mais de 100% — cada linha é sobre o total da fila, não uma fatia dele.
| Sinal | Certames |
|---|---|
| sobrepreço no item | 53.421 |
| fornecedor sancionado | 130.171 |
| homologado colado no estimado | 56.760 |
| vencedor único | 82.404 |
| fornecedor recorrente no órgão | 5.305 |
A fila virou mesa de trabalho.
Cada indício agora é um CASO com estado e histórico: você abre, analisa, oficia a secretaria ou marca como “não procede” — e a mesa lembra. Ordem = risco × dinheiro em jogo; os casos abertos vêm primeiro.
Mostrando os 60 casos de maior prioridade no país. Abra um caso para ver o histórico, gerar o ofício por modelo ou marcar "não procede". Um mesmo certame pode gerar mais de um caso — um por família de indício, porque o inciso da lei e o acórdão análogo diferem.
Nada aqui é opaco.
- sobrepreço no item — algum item homologado ficou acima da mediana dos pares do mesmo código/descrição.
- fornecedor sancionado — fornecedor homologado com sanção CEIS/CNEP vigente na data da consulta.
- colado no estimado — valor homologado entre 98% e 100% do estimado — sozinho é sinal fraco.
- vencedor único — um único fornecedor levou todos os itens. NÃO significa licitante único: o PNCP não publica quem perdeu.
- fornecedor recorrente — o vencedor concentra 60% ou mais do valor homologado deste órgão em 24 meses.
Cada sinal soma pontos (25 para sobrepreço, 20 para sanção, 15 para os demais, mais 10 quando "colado" e "vencedor único" aparecem juntos), com o total limitado a 100. A ordem da fila é esse total multiplicado pelo logaritmo do valor do certame — é o que impede que um caso pequeno de risco alto empurre para baixo um caso grande de risco médio.
Os pesos são uma escolha inicial declarada, não uma verdade medida — ninguém ainda comparou esta ordem com o desfecho real dos casos. Calibrá-los exige registrar, caso a caso, o que a análise concluiu; enquanto isso não existir, trate a ordem como uma hipótese de trabalho útil, e não como uma medida de gravidade.